Adolescentes criam grupo em aplicativo para organizar “clube da luta” no Lago Sul; caso é investigado pela PCDF
Um grupo de mensagens usado por adolescentes, com idades entre 15 e 17 anos, no Lago Sul (DF), está sob investigação da Polícia Civil após a descoberta de uma espécie de “clube da luta” organizado de forma clandestina. As conversas indicam que os participantes eram selecionados com base em características físicas e informações pessoais, além de um suposto “currículo” em que relatavam experiências e trajetórias usadas como forma de exibição de força e status entre o grupo.
Segundo os registros analisados, os encontros já estavam em uma terceira edição e funcionavam com regras internas, incluindo um número mínimo de participantes para a realização dos confrontos. A dinâmica também envolvia enquetes para definição de duplas e datas das disputas, que posteriormente eram compartilhadas em redes sociais.
O material mostra ainda que os relatos apresentados pelos adolescentes eram frequentemente exagerados e recebiam reações e comentários de incentivo dentro do grupo. Em alguns casos, os conteúdos mencionavam supostas brigas e situações de violência, sempre acompanhados de validação entre os integrantes.
Há também registros de descrições irônicas e brincadeiras, misturando referências aleatórias e comentários fora de contexto, o que reforça o caráter de “competição” e exibição dentro do ambiente virtual.
Em determinados trechos, aparecem ainda relatos de agressões e provocações entre os participantes, além de mensagens com emojis e reações que indicavam aprovação e incentivo ao comportamento violento.
O caso é apurado pela 10ª Delegacia de Polícia Civil do Distrito Federal, que busca identificar os organizadores, responsáveis pelos locais onde os encontros aconteciam e possíveis irregularidades relacionadas à participação de menores.
A Secretaria de Justiça e Cidadania do DF informou que o Conselho Tutelar também foi acionado para acompanhar a situação e verificar eventual envolvimento de adultos ou incentivo indevido às atividades.
As investigações seguem em andamento, e as autoridades avaliam as medidas cabíveis com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com foco na proteção dos adolescentes envolvidos.
Roda de confrontos e dinâmica dos encontros
De acordo com as apurações, os encontros ocorriam em ambiente controlado, com uso de equipamentos esportivos e presença de um responsável pela contagem dos golpes. Também havia uma plateia de outros adolescentes que acompanhava as disputas e incentivava os participantes durante as atividades.
Vídeos obtidos pelos investigadores mostram registros das lutas e o incentivo verbal dos presentes durante os confrontos, além da interação constante entre os participantes que assistiam às cenas.
As autoridades reforçam que o caso é tratado com atenção devido ao envolvimento de menores e ao potencial risco físico e social das práticas investigadas.
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