A expansão de ocupações irregulares em áreas ambientalmente sensíveis entre o Lago Norte e o Itapoã tem acendido o alerta de moradores, especialistas e órgãos de fiscalização do Distrito Federal. A região, que abriga importantes nascentes e áreas de proteção hídrica ligadas ao Lago Paranoá, enfrenta o avanço constante de parcelamentos clandestinos e construções sem autorização.

Nas proximidades do Núcleo Rural Capoeira do Bálsamo e da Área de Proteção de Manancial (APM) Taquari, o crescimento desordenado tem transformado a paisagem. Estradas improvisadas, cercamentos irregulares, construções de alvenaria e ocupações sem infraestrutura adequada vêm surgindo em áreas que deveriam permanecer preservadas para garantir a qualidade dos recursos hídricos da região.
De acordo com informações dos órgãos de fiscalização e de portais de notícias, diversas operações foram realizadas nos últimos anos para conter as invasões. Somente desde 2023, dezenas de ações de monitoramento e combate ao parcelamento irregular ocorreram na área, mas novas ocupações continuam sendo identificadas.
Especialistas alertam que o problema vai além da questão fundiária. A ocupação sem planejamento compromete a vegetação nativa do Cerrado, favorece processos erosivos, aumenta os riscos de contaminação do solo e das águas subterrâneas e ameaça diretamente as nascentes que abastecem o Lago Paranoá.

Outro fator preocupante é a instalação de moradias sem sistemas adequados de saneamento. A proliferação de fossas improvisadas e a ausência de redes de esgoto podem gerar impactos ambientais significativos, especialmente em áreas de recarga de aquíferos e proteção de mananciais, um professor de graduação.
Professores e pesquisadores da Universidade de Brasília destacam que a ocupação urbana pode ocorrer em determinadas regiões, desde que seja precedida de estudos técnicos, licenciamento ambiental e planejamento urbano adequado. O que preocupa, segundo eles, é a prática recorrente de construir primeiro para tentar regularizar depois.
Moradores da região também relatam preocupação com os efeitos das ocupações durante o período chuvoso. A retirada da cobertura vegetal tem contribuído para o aumento do escoamento superficial, carregando sedimentos e resíduos para córregos e para o Lago Paranoá.
Enquanto novas ações de fiscalização são programadas, especialistas defendem o fortalecimento do monitoramento territorial e a adoção de medidas mais rigorosas para impedir o avanço da grilagem e preservar áreas consideradas estratégicas para a segurança hídrica do Distrito Federal.


Robertinho lamenta avanço da grilagem de terras e reforça defesa das famílias mais humildes
O colaborador e presidente do Conselho Comunitário do Capoeira do Bálsamo, Robertinho, manifestou preocupação com o avanço da grilagem de terras e os impactos que essa prática tem causado às famílias da região. Segundo ele, os maiores prejudicados são os moradores mais humildes, que convivem diariamente com a insegurança e as dificuldades geradas pelos conflitos fundiários.
Robertinho ressaltou que a comunidade continuará unida na busca por soluções que garantam dignidade, segurança jurídica e melhores condições de vida para todos os moradores. Ele defende que o processo de regularização seja conduzido de forma transparente, respeitando os direitos das famílias que construíram suas vidas na região.

“Quem mais sofre com esse sistema são as pessoas simples, que lutam diariamente para manter suas famílias. Nossa missão é continuar trabalhando e buscando caminhos que garantam justiça e tranquilidade para todos”, afirmou.
O líder comunitário reforçou ainda que seguirá dialogando com os órgãos competentes e apoiando iniciativas que contribuam para o desenvolvimento da comunidade, sempre com foco na valorização das famílias e na construção de um futuro mais seguro para os moradores do Capoeira do Bálsamo.

