Familiares de pessoas privadas de liberdade no Distrito Federal vivem dias de incerteza diante da suspensão e remarcação de visitas presenciais nas unidades prisionais. Há quase um mês, o acesso tem sido impactado pela mobilização dos policiais penais, que cobram a regulamentação da carreira e melhores condições de trabalho.
As visitas, que tradicionalmente seguem um cronograma quinzenal, vêm sendo constantemente adiadas. Datas previstas para o fim de março foram transferidas para abril e até maio, ampliando o intervalo sem contato presencial entre internos e seus familiares.
Datas para visitação inicialmente previstas para o fim de março já foram transferidas para abril e até maio. Veja alguns exemplos:
25/03 → 10/04
26/03 → 17/04
27/03 → 20/04
01 e 02/04 → 27/04 e 04/05
A Secretaria de Administração Penitenciária (Seape) informou que as remarcações são necessárias para garantir a segurança tanto dos visitantes quanto das pessoas custodiadas. O órgão afirma que todos os atendimentos afetados serão reagendados assim que a situação for normalizada.
Na prática, a mudança tem gerado dificuldades para quem depende dessas visitas não apenas para o vínculo familiar, mas também para a entrega de itens básicos. Uma mãe, de 60 anos, relata que não vê o filho desde o início de março. Segundo ela, além da ausência de contato, não foi possível levar alimentos e produtos de higiene, que entram nas unidades em períodos específicos.
A paralisação ocorre em meio ao impasse envolvendo a regulamentação da Polícia Penal do Distrito Federal. A categoria pressiona por avanços na estruturação da carreira, destacando a necessidade de inclusão no Fundo Constitucional do DF, responsável pelo custeio das forças de segurança locais.
O Governo do Distrito Federal já encaminhou proposta à União, mas o processo ainda depende de etapas federais. Com a proximidade do período eleitoral, cresce a preocupação de que o prazo legal limite a adoção de medidas administrativas mais amplas.
Diante desse cenário, representantes da categoria defendem a aprovação de uma legislação distrital que antecipe parte das garantias já discutidas, sem impacto financeiro imediato.
Enquanto não há definição, o cotidiano nas unidades segue marcado por restrições e ajustes constantes, afetando diretamente centenas de famílias que aguardam por uma solução e pela retomada regular das visitas.
