Milhares de fiéis ocuparam o Morro da Capelinha, em Planaltina, nesta Sexta-feira Santa (3/4), para acompanhar a tradicional encenação da Paixão de Cristo, uma das maiores manifestações religiosas do Distrito Federal. Em sua 53ª edição, o evento reafirma a importância cultural e espiritual da celebração, reconhecida como patrimônio imaterial da capital.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, participou da programação e destacou o simbolismo da data para os cristãos. Durante a celebração, ela enfatizou o papel da fé na sociedade brasileira e defendeu a preservação de tradições religiosas que atravessam gerações.
“O Brasil é um país cristão — inclusive, dados do IBGE mostram que católicos e evangélicos representam mais da metade da população. É uma mensagem de renúncia, amor e fé que precisa ser mantida viva, e representações como essa ajudam a tocar as pessoas e reforçar esse significado”, afirmou.
Desde as primeiras horas da tarde, o público já se concentrava no local para acompanhar o espetáculo a céu aberto. Cavaleiros, soldados e figurantes deram início às encenações que retratam os últimos momentos de Jesus Cristo, em um percurso que mistura religiosidade e tradição popular.

Entre os presentes, histórias pessoais evidenciaram o significado da celebração. O pequeno José Henrique Figueiredo, de apenas 4 anos, acompanhou a via-sacra pela primeira vez justamente no dia em que comemorava o aniversário. Acompanhado dos pais, ele representa a continuidade de uma tradição familiar que atravessa gerações.
Também motivado pela fé, Joaquim Fernandes de Queiroz, 59 anos, subiu o morro para cumprir uma promessa. Diagnosticado com epilepsia há mais de duas décadas, ele busca na caminhada um recomeço após a perda da mãe, com quem vivia.

Pela manhã, dezenas de devotos enfrentaram cerca de três quilômetros de subida em direção à cruz, em um trajeto marcado por esforço físico e devoção. Muitos optaram por percorrer o caminho de joelhos, em gesto de sacrifício e gratidão. Os pedidos variavam entre cura, saúde e superação de dificuldades pessoais.
Casos como o de Tatiane Pereira Pacheco, 43, também marcaram a celebração. Ela participou da caminhada para agradecer pela recuperação do filho, que enfrentou um quadro grave de saúde após convulsões. Já Maria de Lourdes da Cruz Lima, 56, subiu o morro pela terceira vez mesmo enfrentando sérias limitações cardíacas, carregando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida como forma de fé e esperança.

O ponto alto da programação está previsto para o início da noite, quando ocorre a encenação da crucificação de Cristo — momento mais aguardado pelos fiéis e que encerra a celebração com forte carga simbólica e religiosa.

